Batom que muda de cor

Batom que muda de corQuando eu era criança, minha mãe tinha um batom verde que ficava rosa quando passava nos lábios. Eu achava aquilo o máximo!!! Como é que pode mudar de verde para rosa? São cores muito diferentes… Como eu sempre tive essa curiosidade, achei que outras meninas também pudessem ter!

Na verdade, o que ocorre não é uma mudança de cor, o batom poderia ser de qualquer cor e mesmo assim ele iria adquirir uma tonalidade rosa na boca.

Na formulação desse batom, eles usam um corante (Red 27/CI45410) que na ausência de água não apresenta cor, mas quando entra em contato com a água ele vai adquirindo a cor rosa. Quando a gente passa o batom nos lábios, o corante entra em contato com a umidade da nossa pele e começa a ficar rosa. Dependendo do pH da pele, ele pode ficar com tonalidade diferente.

Mood lip gloss
Fonte: site da NYX

E o corante verde? Eles colocam o corante em concentração bem menor, apenas o suficiente para que a gente veja o batom verde. Sabe aqueles lápis de cor que quando a gente vai colorir não aparece cor direito? Mais ou menos isso…

Eu vi que a NYX tem um gloss que é transparente e na boca fica bem rosa, eu não vi a composição, mas creio que ele deva ter esse corante. Alguém já usou?

 

Ômega 6 e ômega 3

omega 6 omega 3

omega 6 omega 3

Já faz bastante tempo que é um consenso no mundo da saúde que uma dieta saudável deve incluir uma quantidade de gorduras, mas só aquelas consideradas “boas”. E quando se pensa em gorduras “boas”, logo já vem à cabeça estes termos: ácidos graxos polinsaturados (PUFAs), ômega 6 e ômega 3. Mas, afinal, o que são ômega 6 e 3?

Agora vem uma parte meio chata, quem quiser pode pular para a parte legal… Entre dois carbonos pode existir uma ligação simples, dupla ou tripla. Para um ácido graxo ser considerado polinsaturado ele deve conter mais de uma ligação dupla –insaturação– na sua cadeia carbônica. Como na Química existem regras para se dar nome às substâncias, o número 3 e 6 (existe também o 9!) se refere ao número do carbono da primeira insaturação, contando a partir da ponta não-ácida (sem carboxila). Eles são considerados ácidos graxos essenciais, pois são necessários para o nosso organismo, mas não conseguimos produzi-los. O principal representante dos ω6 é o ácido linoleico e o do ω3 é o ácido alfa-linolênico. Esses ácidos graxos essenciais possuem diferentes papéis no organismo, eu poderia até escrever um outro post só falando sobre a relação deles com o metabolismo cerebral… Fim da parte chata!

Agora a parte legal! Nos tempos modernos, devido à evolução da agricultura e modernização da indústria de óleos, começamos a ter mais disponibilidade de óleos vegetais ricos em ômega 6. E, a partir da década de 50, foram publicados vários estudos relacionando o consumo de polinsaturados (leiam a pergunta no final do post), especialmente o ω6, com a diminuição dos níveis de colesterol. Assim, nos últimos 100 anos, tivemos um aumento considerável da ingestão de ω6, alterando a proporção em relação à ingestão de ω3.

Aqui no Brasil, se conversarmos com as gerações passadas (avós, tios…), não é difícil encontrar gente que não tinha contato com óleo de soja e que estavam acostumados a comer alimentos preparados em gordura de origem animal. A vida moderna nos proporcionou uma alimentação com uma proporção entre ômega 6 e 3 diferente daquela de anos atrás… Alguns trabalhos científicos relatam que os países ocidentais possuem alimentação com uma razão ω6/ω3 de 15-20:1 (15 a 20 partes de ω6 para cada uma de ω3). E esses estudos afirmam que essa razão já foi de 1:1!

E o que acontece com essa alteração na proporção de ω6 e ω3?

As nossas células (de mamíferos) não conseguem converter ω6 para ω3, pois nos falta uma enzima para fazer isso. E estes possuem funções distintas no nosso organismo, por isso o balanço desses ácidos graxos essenciais é muito importante para uma boa saúde. Com o aumento da ingestão de ω6, a cascata do ácido araquidônico vai ser mais ativada, produzindo mais eicosanoides relacionados à inflamação. Tudo isso é muito complexo e seria muito cansativo dar maiores explicações. Vou colocar uma imagem de um trabalho científico só para vocês terem ideia da complexidade…

Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013
Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013

Com esse aumento da ingestão de ω6, as nossas células adiposas ficam em estado inflamatório leve, porém, crônico e esse estado estaria relacionado a uma alteração metabólica de forma a promover a obesidade, entre outras coisas.

É por isso que algumas pessoas estão fazendo uma tal de dieta paleolítica! Na verdade, eu não sei se é necessário comer igual a um homem das cavernas… Talvez seja mais fácil fazer algumas alterações na alimentação, introduzindo alguns alimentos ricos em ω3 e diminuindo os óleos ricos em ω6. O ideal é procurar a ajuda de um nutricionista para ele prescrever uma dieta com boa proporção de ω6 e ω3. De qualquer forma, segue alguns alimentos ricos em ω3: peixes (salmão, bacalhau, sardinha etc.), chia, linhaça, ovo caipira de verdade, laticínios de gado alimentado em pastagem. A manteiga de gado confinado é bem branquinha e a de gado que come pasto tem uma cor amarela sem precisar de corante. Esse tipo de manteiga é difícil de encontrar em cidades grandes, mas é muito comum em cidades pequenas de Minas e Goiás.

Eu andei olhando a antiga Emulsão de Scott (óleo de fígado de bacalhau), que as mães davam para as crianças ficarem inteligentes, mas não gostei do fato de ter óleo de soja na formulação.

Uma pergunta: se o ideal é a ingestão de gordura polinsaturada, por que muita gente anda consumindo gordura saturada (óleo de coco)? Isso eu vou falar em outro post…