Voltei!

gravidez

Estive alguns meses fora do blog e, quando eu vi o número de acessos, fiquei morrendo de vergonha. Sinto que desapontei alguém…

Primeiro de tudo, peço desculpas! Falta minha…

Mas agora vou me explicar: eu comecei a me sentir muito cansada e acabei descobrindo que estava grávida. E esta gravidez foi bem diferente da minha primeira. Eu me sentia muito cansada e não conseguia fazer nada depois do trabalho. Chegava em casa morta e não conseguia tempo e energia para escrever no blog. Depois vieram algumas complicações que me obrigaram a repousar após o trabalho, depois veio o repouso absoluto e agora estou com uma bebê linda de 1 mês e meio. Estou me sentindo muito bem e disposta para voltar a escrever no blog!

E, para inaugurar a minha volta, vou começar falando dos cremes para prevenção de estrias que eu usei durante a gravidez (aqui).

 

Batom que muda de cor

Batom que muda de corQuando eu era criança, minha mãe tinha um batom verde que ficava rosa quando passava nos lábios. Eu achava aquilo o máximo!!! Como é que pode mudar de verde para rosa? São cores muito diferentes… Como eu sempre tive essa curiosidade, achei que outras meninas também pudessem ter!

Na verdade, o que ocorre não é uma mudança de cor, o batom poderia ser de qualquer cor e mesmo assim ele iria adquirir uma tonalidade rosa na boca.

Na formulação desse batom, eles usam um corante (Red 27/CI45410) que na ausência de água não apresenta cor, mas quando entra em contato com a água ele vai adquirindo a cor rosa. Quando a gente passa o batom nos lábios, o corante entra em contato com a umidade da nossa pele e começa a ficar rosa. Dependendo do pH da pele, ele pode ficar com tonalidade diferente.

Mood lip gloss
Fonte: site da NYX

E o corante verde? Eles colocam o corante em concentração bem menor, apenas o suficiente para que a gente veja o batom verde. Sabe aqueles lápis de cor que quando a gente vai colorir não aparece cor direito? Mais ou menos isso…

Eu vi que a NYX tem um gloss que é transparente e na boca fica bem rosa, eu não vi a composição, mas creio que ele deva ter esse corante. Alguém já usou?

 

Ômega 6 e ômega 3

omega 6 omega 3

omega 6 omega 3

Já faz bastante tempo que é um consenso no mundo da saúde que uma dieta saudável deve incluir uma quantidade de gorduras, mas só aquelas consideradas “boas”. E quando se pensa em gorduras “boas”, logo já vem à cabeça estes termos: ácidos graxos polinsaturados (PUFAs), ômega 6 e ômega 3. Mas, afinal, o que são ômega 6 e 3?

Agora vem uma parte meio chata, quem quiser pode pular para a parte legal… Entre dois carbonos pode existir uma ligação simples, dupla ou tripla. Para um ácido graxo ser considerado polinsaturado ele deve conter mais de uma ligação dupla –insaturação– na sua cadeia carbônica. Como na Química existem regras para se dar nome às substâncias, o número 3 e 6 (existe também o 9!) se refere ao número do carbono da primeira insaturação, contando a partir da ponta não-ácida (sem carboxila). Eles são considerados ácidos graxos essenciais, pois são necessários para o nosso organismo, mas não conseguimos produzi-los. O principal representante dos ω6 é o ácido linoleico e o do ω3 é o ácido alfa-linolênico. Esses ácidos graxos essenciais possuem diferentes papéis no organismo, eu poderia até escrever um outro post só falando sobre a relação deles com o metabolismo cerebral… Fim da parte chata!

Agora a parte legal! Nos tempos modernos, devido à evolução da agricultura e modernização da indústria de óleos, começamos a ter mais disponibilidade de óleos vegetais ricos em ômega 6. E, a partir da década de 50, foram publicados vários estudos relacionando o consumo de polinsaturados (leiam a pergunta no final do post), especialmente o ω6, com a diminuição dos níveis de colesterol. Assim, nos últimos 100 anos, tivemos um aumento considerável da ingestão de ω6, alterando a proporção em relação à ingestão de ω3.

Aqui no Brasil, se conversarmos com as gerações passadas (avós, tios…), não é difícil encontrar gente que não tinha contato com óleo de soja e que estavam acostumados a comer alimentos preparados em gordura de origem animal. A vida moderna nos proporcionou uma alimentação com uma proporção entre ômega 6 e 3 diferente daquela de anos atrás… Alguns trabalhos científicos relatam que os países ocidentais possuem alimentação com uma razão ω6/ω3 de 15-20:1 (15 a 20 partes de ω6 para cada uma de ω3). E esses estudos afirmam que essa razão já foi de 1:1!

E o que acontece com essa alteração na proporção de ω6 e ω3?

As nossas células (de mamíferos) não conseguem converter ω6 para ω3, pois nos falta uma enzima para fazer isso. E estes possuem funções distintas no nosso organismo, por isso o balanço desses ácidos graxos essenciais é muito importante para uma boa saúde. Com o aumento da ingestão de ω6, a cascata do ácido araquidônico vai ser mais ativada, produzindo mais eicosanoides relacionados à inflamação. Tudo isso é muito complexo e seria muito cansativo dar maiores explicações. Vou colocar uma imagem de um trabalho científico só para vocês terem ideia da complexidade…

Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013
Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013

Com esse aumento da ingestão de ω6, as nossas células adiposas ficam em estado inflamatório leve, porém, crônico e esse estado estaria relacionado a uma alteração metabólica de forma a promover a obesidade, entre outras coisas.

É por isso que algumas pessoas estão fazendo uma tal de dieta paleolítica! Na verdade, eu não sei se é necessário comer igual a um homem das cavernas… Talvez seja mais fácil fazer algumas alterações na alimentação, introduzindo alguns alimentos ricos em ω3 e diminuindo os óleos ricos em ω6. O ideal é procurar a ajuda de um nutricionista para ele prescrever uma dieta com boa proporção de ω6 e ω3. De qualquer forma, segue alguns alimentos ricos em ω3: peixes (salmão, bacalhau, sardinha etc.), chia, linhaça, ovo caipira de verdade, laticínios de gado alimentado em pastagem. A manteiga de gado confinado é bem branquinha e a de gado que come pasto tem uma cor amarela sem precisar de corante. Esse tipo de manteiga é difícil de encontrar em cidades grandes, mas é muito comum em cidades pequenas de Minas e Goiás.

Eu andei olhando a antiga Emulsão de Scott (óleo de fígado de bacalhau), que as mães davam para as crianças ficarem inteligentes, mas não gostei do fato de ter óleo de soja na formulação.

Uma pergunta: se o ideal é a ingestão de gordura polinsaturada, por que muita gente anda consumindo gordura saturada (óleo de coco)? Isso eu vou falar em outro post…

A volta do esqualano

esqualeno

Quando nós compramos um potinho de creme ou um simples batonzinho, não fazemos ideia nenhuma de onde vem a matéria-prima utilizada. Uma coisa que me alegra nos nossos tempos de acesso ilimitado à informação, é o quanto os consumidores estão mais conscientes.

Há alguns anos atrás, era bastante comum encontrar esqualano em cosméticos, inclusive naqueles manipulados na farmácia. E o esqualano realmente merece destaque por várias características: é inodoro, incolor, quimicamente estável, muito resistente à oxidação, boa solubilidade em vários tipos de formulação etc. E a melhor parte: o esqualeno e o próprio esqualano (em menor concentração) são produzidos pelas nossas glândulas sebáceas, eles ajudam a prevenir a perda de umidade e a promover a elasticidade da pele. E o fato de já serem produzidos pelo nosso organismo (ele pode ser encontrado até na vagina!) traz uma maior segurança para o seu uso em cosméticos.

Agora a parte ruim: por muito tempo, a fonte comercial desta matéria-prima era o fígado de tubarões que vivem nas profundezas do mar. Esse óleo de fígado de tubarão foi muito utilizado na China, Japão e Coreia como um alimento saudável e até aqui no Brasil, pode ser encontrado nos dias de hoje.

Antes de continuar, preciso fazer um esclarecimento: existe o esqualeno e o esqualano!

Esqualeno: encontrado em maior concentração no sebo da nossa pele, possui muitas ligações duplas na sua cadeia carbônica e é bastante instável, portanto, ficaria difícil utilizá-lo dessa forma em cosméticos;

Esqualano: encontrado em baixa concentração na pele, produzido a partir do esqualeno por uma reação química (hidrogenação catalítica), possui boa estabilidade para ser usado em cosméticos.

Continuando… Além do fígado de tubarão, outras fontes de esqualeno foram exploradas. Na década de 70, o esqualeno chegou a ser produzido por síntese química, mas era caro demais. A opção que surgiu foi obter o fitoesqualeno de óleos vegetais, como o de oliva, só que também não era economicamente viável, pois era encontrado em baixas concentrações… Até que surgiu a alternativa de obtê-lo a partir um resíduo da produção de azeite de oliva que pode apresentar até 30% de esqualeno na sua composição.

Hoje, uma alternativa que me parece muito viável, é a produção do esqualeno a partir da cana-de-açúcar. A Amyris, uma empresa da Califórnia, possui uma levedura (a mesma de fazer pão) que foi modificada para produzir uma outra substância, o β-farneseno a partir da fermentação do açúcar e esta molécula vai servir como precursora para produzir o esqualano. Como açúcar é o que não falta no Brasil, ela acabou se instalando por aqui…

Eu coloquei “a volta do esqualano” no título desse post, pois acredito que agora os consumidores não precisam mais ficar preocupados. A incerteza a respeito da sua obtenção e os custos altos acabavam influenciando na sua disponibilidade no mercado. Acredito que esse novo processo da Amyris vai impactar o mercado e vamos começar a ver mais esqualano por aí.

bb cream esqualano

Um produto que gosto muito é o BB Cream da L’Oréal, vejam a formulação: AQUA; CYCLOPENTASILOXANE; ALCOHOOL; BUTYLENE GLYCOL; ETHYLEXYL METHOXYCINNAMATE; PEG-10; DIMETHICONE;PHENYL TRIMETYCONE; SQUALANE; MAGNESIUM SULFATE; TALC; NYLON-12; MALTITOL; DISODIUM STEAROYL GLUTAMATE; ALUMINIUM HYDROXIDE; SORBITOL; PERLITE; VACCINUM MYRTILLUS FRUIT EXTRACT

 

Eu só não sei de onde vem esse esqualano da L’Oréal, mas com certeza não é de nenhum tubarão!

 

Produtos que eu uso: Colágeno em pó

Já faz algum tempo que uso colágeno hidrolisado e a minha preferência são pelos em pó. Quando digo em pó, me refiro aos vendidos em pote ou sachet. O primeiro que usei era em cápsulas e eu não achei que valesse a pena, a dose era muito baixa e eu teria que tomar várias cápsulas para equivaler a um sachet. Geralmente, a cápsula ou comprimido fornece 1 g de colágeno, mas o ideal é ingerir de 8 a 10g.

A marca de colágeno que eu uso normalmente é a SlimCol da Dynamic Labs, eu me adaptei muito bem ao sabor de tangerina, bem suave. Outro que eu usei e achei bom foi o Colagentek, ele possui sabores sortidos, mas eu achei um pouco forte. Eu sei que existem várias opções em potes, mas o sachet é mais prático e dá para levar na bolsa.

colageno slimcolcolageno colagentek30

 

Além de 8g de colágeno/sachet, ambos possuem algumas vitaminas na formulação. Da mesma forma que gelatina, o colágeno hidrolisado apresenta difícil solubilização em água fria.  O que eu costumo fazer é colocar no copo com água, misturar (vai ficar cheio de grumos) e esperar alguns minutos. Depois eu misturo de novo e está pronto para tomar!

 

Colágeno hidrolisado funciona?


Colageno e envelhecimento

O envelhecimento tem causa multifatorial, mas uma coisa que todas sabemos é que perdemos o colágeno da pele com o tempo e, com isso, ganhamos rugas e flacidez. Por isso, a ideia de repor este colágeno perdido é muito sedutora.

Esse, com toda a certeza, é um assunto bastante polêmico! Eu via nas prateleiras suplementos e alimentos funcionais com colágeno e sempre aparecia a dúvida:

Suplementação com colágeno funciona ou é perda de tempo e dinheiro? E se funciona, como isso acontece?

Acho que a grande maioria dos profissionais da área da saúde ou pessoas que já estudaram Bioquímica alguma vez na vida não irão ver muito sentido no uso do colágeno.  Afinal, quando você ingere uma proteína, não vai ser tudo hidrolisado e teremos aminoácidos disponíveis do mesmo jeito? Não é a mesma coisa que ingerir gelatina ou pé-de-galinha com regularidade?

Eu pertencia ao grupo que não acreditava na suplementação com colágeno, até que um dia eu resolvi fazer um teste de 1 mês usando todos os dias (8g/dia). E, para a minha surpresa, percebi uma melhora significativa no aspecto da minha pele. Como assim? Qual a “lógica” por trás do colágeno?

Fui fazer uma busca na literatura (científica) e percebi que eu tinha alguns conceitos errados. O primeiro deles era: eu achava que a gelatina por si só já era um “colágeno hidrolisado”, já que ela é obtida a partir da hidrólise do colágeno de origem animal. E, na verdade, o que a indústria chama de colágeno hidrolisado é aquele obtido após mais uma etapa de hidrólise, só que enzimática. Traduzindo: depois de obter a gelatina, esta vai ser quebrada em pedacinhos menores ainda. Em termos bioquímicos, dizemos que foram formados polipeptídeos de massa molecular menor. Essa é a razão do colágeno hidrolisado ser tão mais caro que um simples pacotinho de gelatina!

Depois de ler vários trabalhos, descobri alguns fatos interessantes:

Fato 1: O colágeno hidrolisado, ou mesmo a gelatina, não vai ser completamente hidrolisado no estômago, como quase todo mundo pensa!

Fato 2: O colágeno hidrolisado apresenta biodisponibilidade. Isso significa que vai ser absorvido no intestino e cair na corrente sanguínea.

Vi que muita coisa já foi estudada, e ainda falta alguns pontos para os pesquisadores esclarecerem. Existem muitos estudo in vitro, in vivo (animais) e clínico (com pessoas) que confirmam o efeito que observamos na pele com a suplementação e, também, outros sobre diversos assuntos (metabolismo ósseo, segurança, atividade antimicrobiana etc.). Sobre o mecanismo de ação do colágeno na pele, encontrei dois que me convenceram:

  • Os aminoácidos (aas) do colágeno funcionam como blocos construtores para a produção de mais colágeno. (Esse é o que menos me convenceu, pois eu posso ter os mesmos aas de outras fontes!)
  • Os oligopeptídeos do colágeno hidrolisado se ligam a receptores dos fibroblastos e estimulam a produção de colágeno novo, elastina e ácido hialurônico. (Gostei desse!)

Um trabalho de um grupo brasileiro me chamou a atenção por dar mais uma possibilidade: eles verificaram (in vivo) que a ingestão de colágeno hidrolisado por 4 semanas suprimiu algumas metaloproteinases de matriz, que estão relacionadas com a degradação direta do colágeno e com a inibição da sua síntese.

O que as vaidosas que usam colágeno já sentiam na pele, a ciência explica!

Só para deixar claro: não pretendo escrever post monografia!!! Estes processos são complexos e não dá para colocar aqui bem explicadinho. Mas, o que eu vi na literatura, me convenceu e eu continuo usando CH e gosto muito do resultado. Quem quiser ver o que eu uso, é só clicar aqui.

Se quiser esclarecer um dúvida ou sugerir temas para postagem, pode entrar em contato com o blog!