A volta do esqualano

esqualeno

Quando nós compramos um potinho de creme ou um simples batonzinho, não fazemos ideia nenhuma de onde vem a matéria-prima utilizada. Uma coisa que me alegra nos nossos tempos de acesso ilimitado à informação, é o quanto os consumidores estão mais conscientes.

Há alguns anos atrás, era bastante comum encontrar esqualano em cosméticos, inclusive naqueles manipulados na farmácia. E o esqualano realmente merece destaque por várias características: é inodoro, incolor, quimicamente estável, muito resistente à oxidação, boa solubilidade em vários tipos de formulação etc. E a melhor parte: o esqualeno e o próprio esqualano (em menor concentração) são produzidos pelas nossas glândulas sebáceas, eles ajudam a prevenir a perda de umidade e a promover a elasticidade da pele. E o fato de já serem produzidos pelo nosso organismo (ele pode ser encontrado até na vagina!) traz uma maior segurança para o seu uso em cosméticos.

Agora a parte ruim: por muito tempo, a fonte comercial desta matéria-prima era o fígado de tubarões que vivem nas profundezas do mar. Esse óleo de fígado de tubarão foi muito utilizado na China, Japão e Coreia como um alimento saudável e até aqui no Brasil, pode ser encontrado nos dias de hoje.

Antes de continuar, preciso fazer um esclarecimento: existe o esqualeno e o esqualano!

Esqualeno: encontrado em maior concentração no sebo da nossa pele, possui muitas ligações duplas na sua cadeia carbônica e é bastante instável, portanto, ficaria difícil utilizá-lo dessa forma em cosméticos;

Esqualano: encontrado em baixa concentração na pele, produzido a partir do esqualeno por uma reação química (hidrogenação catalítica), possui boa estabilidade para ser usado em cosméticos.

Continuando… Além do fígado de tubarão, outras fontes de esqualeno foram exploradas. Na década de 70, o esqualeno chegou a ser produzido por síntese química, mas era caro demais. A opção que surgiu foi obter o fitoesqualeno de óleos vegetais, como o de oliva, só que também não era economicamente viável, pois era encontrado em baixas concentrações… Até que surgiu a alternativa de obtê-lo a partir um resíduo da produção de azeite de oliva que pode apresentar até 30% de esqualeno na sua composição.

Hoje, uma alternativa que me parece muito viável, é a produção do esqualeno a partir da cana-de-açúcar. A Amyris, uma empresa da Califórnia, possui uma levedura (a mesma de fazer pão) que foi modificada para produzir uma outra substância, o β-farneseno a partir da fermentação do açúcar e esta molécula vai servir como precursora para produzir o esqualano. Como açúcar é o que não falta no Brasil, ela acabou se instalando por aqui…

Eu coloquei “a volta do esqualano” no título desse post, pois acredito que agora os consumidores não precisam mais ficar preocupados. A incerteza a respeito da sua obtenção e os custos altos acabavam influenciando na sua disponibilidade no mercado. Acredito que esse novo processo da Amyris vai impactar o mercado e vamos começar a ver mais esqualano por aí.

bb cream esqualano

Um produto que gosto muito é o BB Cream da L’Oréal, vejam a formulação: AQUA; CYCLOPENTASILOXANE; ALCOHOOL; BUTYLENE GLYCOL; ETHYLEXYL METHOXYCINNAMATE; PEG-10; DIMETHICONE;PHENYL TRIMETYCONE; SQUALANE; MAGNESIUM SULFATE; TALC; NYLON-12; MALTITOL; DISODIUM STEAROYL GLUTAMATE; ALUMINIUM HYDROXIDE; SORBITOL; PERLITE; VACCINUM MYRTILLUS FRUIT EXTRACT

 

Eu só não sei de onde vem esse esqualano da L’Oréal, mas com certeza não é de nenhum tubarão!