Chá de hibisco

cha de hibisco

 

Conheci o hibisco há alguns anos atrás, ele estava longe de entrar na moda… Nesta época, ele era tão sem glamour que era comum ele entrar em blends de chá de “frutas vermelhas” ou “flores e frutas” e o nome dele nem aparecer em destaque na embalagem, só aparecia no ingredientes. Mas dava para perceber que ele estava lá pela sua cor vermelha, já que ele é rico em antocianinas.

O hibisco usado para fazer o chá é o Hibiscus sabdariffa, da família Malvacea, ele é parente próximo do quiabo, não é aquele ornamental vermelho muito encontrado em jardins (Hibiscus rosa- sinensis). Sua flor é como o da imagem acima, mas há variedades com. O chá é feito com as sépalas da flor que são desidratas e vendidas no mercado, esta parte é mais rica em antocianina. Tenho visto algumas embalagens no comércio que está escrito que a parte usada são flores e me parece que são pétalas, o que me deixa desconfiada se é o hibisco certo.

O hibisco é riquíssimo em substâncias antioxidantes, como as antocianinas, que são flavonoides de cor vermelha. Além das antocianinas, possuem outras substâncias interessantes, tais como: outros flavonoides (quercetina, kaempferol), ácidos orgânicos e vitamina C.

hibisco sepalasHoje em dia, ele está sendo muito usado como auxiliar no emagrecimento, mas ele é tradicionalmente conhecido por outras atividades biológicas já bastante estudadas pelos pesquisadores.

 

Atividades do hibisco que já foram comprovadas em testes clínicos (com pessoas):

  • diminuição da pressão arterial
  • diminuição do nível de triglicérides
  • diminuição do nível de colesterol total (apenas um estudo com cápsulas de extrato de H. Sabdariffa nas refeições)
  • diurético

As atividades antioxidante e antinflamatória também foram observadas em ensaios clínicos, mas com menor efeito se comparados com os estudos in vivo e in vitro.

Atividades observadas em estudos in vivo (animais) e in vitro: antiespasmódico (útero), antimicrobiana, antinflamatória, antioxidante, diurética, anticolesterol (diminui LDL, triglicérides e colesterol total), entre outras mais.

Há alguns estudos in vivo relacionando o hibisco à perda de peso, mas ainda não há estudos clínicos (com pessoas), apesar da moda  para a perda de peso. Como auxiliar no emagrecimento, o hibisco pode atuar nas condições associadas à obesidade, como a hiperlipidemia. Os mecanismos de ação do hibisco no emagrecimento estão sendo estudados, os possíveis mecanismos do extrato de hibisco são: atuação na adipogênese e inibição da enzima α-glucosidade e α-amilase, o que dificultaria a absorção de açúcar e amido.

O hibisco mostrou boa toxicidade aguda, o que significa que dificilmente alguém vai se intoxicar se ingerir grandes quantidades de chá de hibisco de uma vez!!! Mas, a longo prazo, deve-se tomar cuidado! A ingestão crônica de grande quantidade de extrato de hibisco a por muito tempo pode ser tóxico para o fígado (acima de 3g de extrato seco por Kg de peso corpóreo por mais de 3 meses). Uma recomendação que eu li que é que a ingestão segura seria de 2,2 g de cálice seco por dia para uma pessoa de 70 Kg.

A melhor forma de preparar o chá de hibisco é por infusão: adiciona-se a água quente ao hibisco seco e abafa (um pratinho em cima da panela). As antocininas de flores são mais estáveis que as de frutas, mas mesmo assim deve-se evitar ferver o hibisco (decocção) para não degradá-las, bem como outros compostos sensíveis à temperatura.

Pode ser que eu tenha esquecido alguma coisa importante… Deixem sugestões e comentários!

Bjs

 

Farmácia no nosso dia a dia

farmácia medicamentoEu estava pensando no que eu iria escrever no blog e vi que hoje era 20 de janeiro, dia do farmacêutico. Então, decidi comemorar o dia da minha profissão e escrever sobre alguns conceitos relacionados à Farmácia que costumam causar confusão nas pessoas.

No dia a dia, vejo as pessoas usando as palavras remédio, medicamento e droga como se tudo fosse a mesma coisa! Não que isso seja um problema! Mas, para quem quiser saber, vou dar uma explicação bem simples.

Droga ou fármaco é a substância que vai ser utilizada para fazer o medicamento. Atualmente, as pessoas tem usado mais a palavra “droga” que vem da tradução do inglês “drug”. Eu, particularmente, prefiro o nome tradicional mesmo – fármaco – mas os dois estão corretos, pois até a Anvisa adota o nome “droga”. Já medicamento é o produto elaborado utilizando-se o fármaco (droga) na indústria ou farmácia. Para ser chamado de medicamento, o fármaco vai estar apresentado em uma forma farmacêutica, ou seja, vai estar em forma de cápsula, solução, suspensão, óvulo etc. Quando comercializado ou fabricado no Brasil, o medicamento precisa necessariamente ter passado por ensaios clínicos e ser autorizado pela Anvisa. Quando o medicamento ainda não passou por ensaios clínicos, chamamos de medicamento experimental.

Usando um caso que ficou famoso na mídia como exemplo: a fosfoetanolamina seria o fármaco ou droga, a cápsula contendo a fosfoetanolamina seria o medicamento, mas como ainda vai passar por ensaios clínicos, é um medicamento experimental.

E o remédio?

Remédio pode ser qualquer coisa ou cuidado que alivia algum sintoma, cura ou traz bem estar, tais como: um medicamento, um chá bem quentinho, uma oração ou um beijinho da mamãe! E quem vai falar que beijinho da mamãe não tira a dor e sara machucado? Então é remédio!

Litografia de Charles-Henri Bethmont de 1850. retratando plantas venenosas, a morte de Sócrates, o farmacêutico e o herbalista na antiguidade.
Litografia de Charles-Henri Bethmont de 1850 retratando plantas venenosas, a morte de Sócrates, o farmacêutico e o herbalista na antiguidade.

Outros nomes que fazem bastante confusão são fitoterapia e homeopatia. Antes de qualquer coisa, um esclarecimento sobre as plantas medicinais: o fato de ser da natureza não significa que não pode ser perigoso! Grande parte dos fármacos que temos hoje foram identificados na natureza! O uso medicinal de forma incorreta pode causar intoxicação e pode até interagir com algum medicamento que o paciente faça uso.

Portanto, cuidado quando alguém usar a expressão “é natural”!

Continuando… Um fitoterápico é um medicamento preparado a partir de plantas medicinais. Por ser um medicamento, ele é apresentado em uma forma farmacêutica, passou por controle de qualidade, possui posologia e, por ser padronizado, ele sempre vai apresentar a mesma concentração do princípio ativo. O medicamento fitoterápico possui registro na Anvisa.  Já a planta medicinal (inteira ou partes dela, seca, triturada ou não) é chamada de droga vegetal e não é registrada na Anvisa. Novamente, a minha orientação é cuidado com o uso!

E a homeopatia? O medicamento homeopático é um medicamento dinamizado (diluído e agitado muitas vezes, muitas vezes mesmo!!!) obtido a partir de planta, animal ou mineral. Isso significa que pode ser produzido até a partir do veneno de uma abelha, mas sempre seguindo os conceitos da homeopatia. As formas farmacêuticas mais comuns são os glóbulos de açúcar e solução.

Assim, quando se fala em plantas medicinais e fitoterapia, não é a mesma coisa que homeopatia!

Em relação a dúvidas sobre medicamentos e assuntos deste tipo, converse com o farmacêutico! Nas farmácias, eles costumam estar identificados e podem conversar e dar informações sobre o uso de medicamentos.

Consegui ser esclarecedora ou fiz mais confusão? Se eu deixei de abordar algum tópico importante, sugiram nos comentários e aí eu falo em outro post!