Suplementos seguros

efedrinaHá uns anos atrás, era comum encontrar suplementos do tipo pré-treinos e termogênicos com estimulantes na composição. Estou me referindo à substâncias estimulantes diferentes da cafeína, pois esta é permitida no Brasil. E até alguns meses atrás, ainda era possível comprar suplementos com formulações que não eram permitidas no país. A Anvisa, agência que regula produtos e serviços relacionados à saúde no Brasil, já proibiu o uso deste tipo de substância em suplementos alimentares.

Afinal, o que são suplementos alimentares? São formulações usadas por via oral para complementar a dieta. Como o próprio nome diz, são alimentares! Aqueles utilizados para melhoras a performance, também são chamados de suplementos ergogênicos, como os pré-treinos e os termogênicos. Vale ressaltar que a Anvisa entende que o uso de suplemento deve ser direcionado a atletas, ela não faz recomendação para praticante de atividade física ou para fins estéticos. Eu só estou deixando claro a forma que a Anvisa trata o assunto! Eu não sou atleta e gosto de usar de suplementos!

Em relação à substâncias estimulantes, uma que foi muito usada e ainda é utilizada, apesar o perigo que ela oferece, é a efedrina. Vou usar a efedrina como exemplo, mas existem outras substâncias estimulantes que oferecem risco à saúde. A efedrina é um simpatomimético, é assim que chamamos uma substância que imita o efeito da adrenalina no corpo. Quando liberamos adrenalina na hora de um susto, ela se liga em receptores espalhados em vários locais do corpo, por isso a gente consegue sentir seu efeito de várias maneiras. Existem fármacos mais específicos na forma de atuar, que se ligam especificamente em alguns receptores. A efedrina se liga em vários tipos de receptores e, mesmo quando utilizada para fins medicinais, ela vai apresentar alguns efeitos colaterais. Como medicamento, ela é utilizada como broncodilatador e pode apresentar efeitos colaterais, tais como aumento da pressão arterial, arritmia cardíaca, insônia, entre outros. A minha opinião bem parecida com a da Anvisa:

Uma substância que apresenta ação farmacológica não pode ser considerada como suplemento alimentar.

Não interessa se na formulação do suplemento, ela foi usada na forma de um sal puro ou de uma planta de uso medicinal! Não é por ser uma planta, que deixa de apresentar riscos (leia esse post aqui). Enfim, no caso de uma doença, pesa-se os prós e os contras de se usar um determinado medicamento. No caso de um suplemento alimentar, a pessoa está em boa saúde e não há motivo para correr o risco de se usar um medicamento! Mesmo se a pessoa for jovem, muitas vezes ela não sabe se tem algum problema cardíaco ou psiquiátrico que pode aparecer ou se agravar com o uso de algum estimulante.

Eu fico bastante preocupada com os suplementos vendidos no Brasil. Sou muito desconfiada em relação à adulteração ou se o rótulo diz exatamente o que está sendo vendido.

E como eu vou saber se o suplemento que estou usando é seguro?

Assault
Exemplo de suplememento com certificado anti-doping

Como não tem como levarmos os suplementos para o laboratório para fazer uma análise química, acho uma boa ideia verificar se o suplemento tem certificação anti-doping. No Brasil, não existe certificação para suplementos alimentares, mas há uma instituição da África do Sul que analisa os produtos e certifica aqueles que são livres de substâncias que configuram doping. Para quem quiser dar uma olhada, o link para a lista está aqui. Nesta lista, estão várias marcas conhecidas e vendidas aqui no Brasil, com a Optimum Nutrition e Musclepharm. Acho que esta lista pode ajudar na escolha do pré-treino e outros suplementos, mas o mais importante, na minha opinião, é usar suplementos com a orientação de um nutricionista ou médico. Acho que não vale a pena fazer uso de suplementos por conta própria, na verdade, a prescrição de uma dieta adequada à necessidade de cada um vai produzir resultados melhores!

 

Se esse post ajudou em alguma coisa, deixem comentários! Sugestões são bem-vindas!

Ômega 6 e ômega 3

omega 6 omega 3

omega 6 omega 3

Já faz bastante tempo que é um consenso no mundo da saúde que uma dieta saudável deve incluir uma quantidade de gorduras, mas só aquelas consideradas “boas”. E quando se pensa em gorduras “boas”, logo já vem à cabeça estes termos: ácidos graxos polinsaturados (PUFAs), ômega 6 e ômega 3. Mas, afinal, o que são ômega 6 e 3?

Agora vem uma parte meio chata, quem quiser pode pular para a parte legal… Entre dois carbonos pode existir uma ligação simples, dupla ou tripla. Para um ácido graxo ser considerado polinsaturado ele deve conter mais de uma ligação dupla –insaturação– na sua cadeia carbônica. Como na Química existem regras para se dar nome às substâncias, o número 3 e 6 (existe também o 9!) se refere ao número do carbono da primeira insaturação, contando a partir da ponta não-ácida (sem carboxila). Eles são considerados ácidos graxos essenciais, pois são necessários para o nosso organismo, mas não conseguimos produzi-los. O principal representante dos ω6 é o ácido linoleico e o do ω3 é o ácido alfa-linolênico. Esses ácidos graxos essenciais possuem diferentes papéis no organismo, eu poderia até escrever um outro post só falando sobre a relação deles com o metabolismo cerebral… Fim da parte chata!

Agora a parte legal! Nos tempos modernos, devido à evolução da agricultura e modernização da indústria de óleos, começamos a ter mais disponibilidade de óleos vegetais ricos em ômega 6. E, a partir da década de 50, foram publicados vários estudos relacionando o consumo de polinsaturados (leiam a pergunta no final do post), especialmente o ω6, com a diminuição dos níveis de colesterol. Assim, nos últimos 100 anos, tivemos um aumento considerável da ingestão de ω6, alterando a proporção em relação à ingestão de ω3.

Aqui no Brasil, se conversarmos com as gerações passadas (avós, tios…), não é difícil encontrar gente que não tinha contato com óleo de soja e que estavam acostumados a comer alimentos preparados em gordura de origem animal. A vida moderna nos proporcionou uma alimentação com uma proporção entre ômega 6 e 3 diferente daquela de anos atrás… Alguns trabalhos científicos relatam que os países ocidentais possuem alimentação com uma razão ω6/ω3 de 15-20:1 (15 a 20 partes de ω6 para cada uma de ω3). E esses estudos afirmam que essa razão já foi de 1:1!

E o que acontece com essa alteração na proporção de ω6 e ω3?

As nossas células (de mamíferos) não conseguem converter ω6 para ω3, pois nos falta uma enzima para fazer isso. E estes possuem funções distintas no nosso organismo, por isso o balanço desses ácidos graxos essenciais é muito importante para uma boa saúde. Com o aumento da ingestão de ω6, a cascata do ácido araquidônico vai ser mais ativada, produzindo mais eicosanoides relacionados à inflamação. Tudo isso é muito complexo e seria muito cansativo dar maiores explicações. Vou colocar uma imagem de um trabalho científico só para vocês terem ideia da complexidade…

Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013
Fonte: TITOS & CLARIA, Prostaglandins & Others Lipid Mediators, v. 107, p. 77-84, 2013

Com esse aumento da ingestão de ω6, as nossas células adiposas ficam em estado inflamatório leve, porém, crônico e esse estado estaria relacionado a uma alteração metabólica de forma a promover a obesidade, entre outras coisas.

É por isso que algumas pessoas estão fazendo uma tal de dieta paleolítica! Na verdade, eu não sei se é necessário comer igual a um homem das cavernas… Talvez seja mais fácil fazer algumas alterações na alimentação, introduzindo alguns alimentos ricos em ω3 e diminuindo os óleos ricos em ω6. O ideal é procurar a ajuda de um nutricionista para ele prescrever uma dieta com boa proporção de ω6 e ω3. De qualquer forma, segue alguns alimentos ricos em ω3: peixes (salmão, bacalhau, sardinha etc.), chia, linhaça, ovo caipira de verdade, laticínios de gado alimentado em pastagem. A manteiga de gado confinado é bem branquinha e a de gado que come pasto tem uma cor amarela sem precisar de corante. Esse tipo de manteiga é difícil de encontrar em cidades grandes, mas é muito comum em cidades pequenas de Minas e Goiás.

Eu andei olhando a antiga Emulsão de Scott (óleo de fígado de bacalhau), que as mães davam para as crianças ficarem inteligentes, mas não gostei do fato de ter óleo de soja na formulação.

Uma pergunta: se o ideal é a ingestão de gordura polinsaturada, por que muita gente anda consumindo gordura saturada (óleo de coco)? Isso eu vou falar em outro post…